quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

MORTE E FINITUDE


Dificilmente falamos acerca da morte, pois é algo que a humanidade ainda desconhece, continua sendo um grande mistério para inspiradores, filósofos, psicólogos e outros estudiosos e pesquisadores.
Morte está associada com renascimento. Seu tema é muito amplo e ao mesmo tempo um tabu para muitos.
O ser mortal não é uma opção, e sim uma certeza. 
Quando  falamos de morte, podemos estar correndo um grande risco de recebermos julgamentos.
Ao estudar ou pesquisar o tema, e acreditem, não tão afundo, pois logo me deu arrepios e ao mesmo tempo muita curiosidade em saber mais, apesar de parecer que este assunto nunca vai acabar sempre haverá um ponto, dois ou mais de interrogação.
Percebi que esta pesquisa trata-se de uma trilha de vida, com infinitos questionamentos, de muitas reflexões, batalhas que não param de ser travadas dia após dia. Uma verdadeira inovação, pois a ciência descobre a cada dia como combater a morte, e ao mesmo tempo se sente impotente em muitos casos diante dela.
Apesar de existir várias formas da morte, vou apenas relampejar acerca do assunto. Pois, ainda não a experimentei para poder refletir a respeito e contar o que acontece no fim da vida.

  • Conceito de Morte
A palavra morte vem do latim = mors. É um fenômeno natural discutido em todas as áreas.
 A morte tem como conceito estar sem a vida, é o ato de morrer, perecer, perder a vida.
Não há nenhuma experiência humana que possa ser comparada à morte. Ainda desconheço aquele que não vai passar por ela.
A idéia da inexistência, de não estarmos vivos, é preocupante e nos torna impotentes diante da nossa finitude e morte.
O termo ciclo de vida, usado muito pelos nossos antepassados, parece definir toda trajetória normal do ser humano. O nascer, crescer, acumular, reproduzir e depois, morrer! Tudo isso, como estágio final de uma vida já predestinada a cumprir a normalidade das coisas aqui na Terra. Nem parece que temos o livre arbítrio, a escolha de continuar vivendo neste mundo tão “maravilhoso”.

  • Morte na época Medieval – séculos XIV – XV

O homem medieval sabia quando iria morrer. Isto se devia a certos avisos, signos naturais ou até mesmo por convicção interna. Podiam morrer na guerra ou de algum tipo de doença da época. Por isso, conheciam a trajetória de sua morte.
Para o moribundo, havia um ato cerimonial que familiares dedicavam a este no final da vida.
1º era lamentar a vida – evocação triste e discreta;
2º  perdoar a todos ao seu redor;
3º a absolvição sacramental.
A morte era esperada no leito, numa espécie de cerimônia pública, organizada pelo próprio moribundo com manifestações de muita dor e tristezas.
O que mais se temia nesta época, era a morte repentina ou anônima, sem ter as homenagens cabíveis.
Mesmo com todos estes cerimoniais, os homens ainda sim, temiam a aproximação com os mortos, sempre se mantendo a distância. Muitas destas práticas eram preparadas para manter os vivos separados dos mortos e facilitar seu percurso para o céu. Com isso, evitavam a contaminação física e psíquica – medo das almas, espíritos e fantasmas dos mortos.
O local de sepulcro na Idade Média era feito na Igreja, perto dos santos, uma forma de proteção. Sendo que, os enterros dentro das igrejas ou basílicas eram apenas para pessoas de prestígio, e o altar era o lugar mais valorizado para o rito. Ao passo que para os pobres eram dados os pátios das igrejas. E os indigentes eram destinados às valas coletivas.
Aqui já existia a preocupação por parte do individuo do que poderia acontecer após a morte. O medo do julgamento da alma – inferno ou paraíso. Por isso, o moribundo ficava em um quarto isolado cheio de tristezas. E sua família ao redor dele como num juízo final.
Todo sujeito prestes a morrer, deveria deixar um testamento, em que metade de todo bem era entregue a igreja para garantir a salvação do morto para a vida eterna, uma vez que era alegado que o reino dos céus era destinado aos pobres e bem aventurados de espírito.
O corpo era escondido em caixões ou usava-se o embalsamamento para conservar viva a imagem do morto – uma forma de negar a morte.
A pessoa que estava de luto tinha um tratamento verbal mais especial, não podendo ser magoada em sua dor.
  • Luto
O luto era representado pela cor preta. No Ocidente o costume era pagão. O luto não tinha haver com piedade ou tristeza, mas uma maneira de expressar medo, ou seja, era uma relação de horror da morte e não respeito pelos mortos. A cor preta era como um disfarce para o fantasma do morto não reconhecer o vivo e voltar para caçá-lo. Era usado um véu negro, considerado como uma proteção contra a morte. Muitas vezes eram pintados os rostos de preto e branco para que os mortos ou demônios acreditassem que os que se encontravam ao redor do morto eram fantasmas e não criaturas vivas, invejadas por eles.
A cor preta também simbolizava o abandono e facilitava a lembrança de que ocorreu uma perda, ou seja, uma forma de diferenciar o estado de luto. A cor preta ainda, além da tristeza criava uma paz e serenidade interior. Porém, o preto em alguns lugares não é a cor do luto. Dependendo de certas culturas se usa branco, amarelo e cor púrpura (exemplo a China).
Outras formas de buscar proteção são as missas para a alma do morto. Os donativos para estas era de grande importância, por representar uma forma de perdão para os atos terrenos e os acúmulos de bens a qual em vida o morto gozava.

  • Túmulos
Os túmulos marcavam o lugar do morto, trazendo recordações dele através de sua própria imagem, representada em forma de escultura. Geralmente eram em uma pedra branca para combinar com os ossos e representar a paz e pureza. Um lugar de repouso para a alma.
Vemos claramente a importância que os vivos dão para a morte e seus mortos. Tanto seja em forma de horror como no temor.

  • Séculos XVII - XVIII - Uma confusão entre vida e morte.

O medo nesta época era de ser enterrado vivo. O pânico de acordar dentro de um túmulo. 
Devido a este pavor, começam a surgir vários ritos para atrasar o enterro. Os velórios eram mais longos duravam em média 48 horas para que se garantisse uma morte definitiva, ou seja, quando o morto já estava no seu estado de decomposição.
O único dia que não podiam esperar este longo tempo era aos sábados, por ser santo. O que se fazia então era colocar uma pena na narina do suposto morto e verificar se ocorria algum movimento, caso contrário levava o morto para um local a qual ele permaneceria em contato com a terra apenas envolvido com taboas para que não ficasse seu corpo exposto,e assim, voltar ao pó de onde surgira.
Nesta época a alma era liberada do corpo depois de sete dias. Neste período ela se alternava entre o túmulo e a casa da família. Durante estes sete dias, era costume, dez homens juntarem-se aos familiares e rezarem pelo morto e pela família. Deixava-se uma lamparina acesa, perto dela uma toalha para que a alma podesse se banhar e se secar durante estes dias. Após os sete dias a alma do morto se alegrava e deixava a casa definitivamente. Porém, durante o primeiro ano da morte, a alma se transportava do túmulo para o céu. Passado este um ano, partia para o céu eternamente. Seu retorno agora era apenas em datas festivas religiosas, com a lua nova ou quando os parentes e amigos se reunissem para orar.

  • Séculos XIX – uma morte romântica

A morte neste século é considerada bela, um sublime repouso, uma eternidade com a possibilidade de reuniões com o ser amado que se foi.
Uma época onde a morte era desejada. Pois, trazia a evasão, liberação, fuga para o além, e ao mesmo tempo a ruptura insuportável da separação. O desejo está mais no encontro com os entes amados após a morte. Uma crença na vida futura.
Vai surgir aqui o espiritismo e outras seitas com conceito de que é possível a intermediação entre os vivos e os mortos – comunicação com espíritos e retorno ao corpo.
O medo agora é com as almas do outro mundo, que vem para molestar os vivos. Com isso, provocam todo tipo de superstição. São criados rituais para afastar estes seres, como: abrir as janelas e portas após o morto ter morrido para facilitar a saída da alma; param todos os relógios da casa; cobrem–se todos os espelhos e silenciam os sinos, joga sal por todas as entradas e cantos da casa e acendem muitas velas.
O que ocorria muito nesta época era a preocupação com a insalubridade dos cemitérios, devido ao número excessivo de epidemias. Cria-se aqui vários decretos quanto ao espaço e profundidade das covas. Mais uma tentativa de separar os vivos dos mortos.

  • Século XX – uma morte que se esconde, a vergonha de saber que vai morrer

Uma morte que não pertence mais ao individuo,  tira a sua responsabilidade e sua consciência.
Uma sociedade que expulsa a morte para defender e proteger a vida.
Não é ideal perceber a morte, a morte boa é aquela que não é sabido se o sujeito morreu ou não.
A morte é ignorada através do silêncio, não pode falar sobre ela. Este século é o que reina a mentira e a solidão do doente. A morte agora não é mais considerada um fenômeno natural, ela é o verdadeiro fracasso, a impotência do individuo de não poder fazer nada diante dela. Por isso, é tão ocultada. O triunfo humano é justamente em manter a morte na total ignorância e no silêncio.
A decomposição que outrora ocorria na época medieval após a morte, agora passa a ocorrer em vida, pois o moribundo permanece por longos e intermináveis estado de doença, se degenerando até chegar ao fim.
O local de sua morte é transferido do seu lar para o hospital. Isto faz com que torne difícil suportar a aproximação com a doença. É o que vai separar a família do doente. Aqui as famílias não vêem seus doentes morrerem. O hospital é conveniente, pois de certa forma esconde a repugnância e os aspectos sórdidos ligados à doença, não tornando visível a presença da morte.
Uma época que esconde qualquer manifestação da dor, a sociedade exige este controle, por não suportar e saber enfrentar os sinais da morte. 
O tempo da morte não é mais a separação do corpo e da alma. Este tempo é prolongado indefinidamente, por aparelhos destinados a medir e prolongar a vida. O momento da morte passa a ser nas muitas vezes, um acordo feito entre a família e o médico.
Em muitos lugares, principalmente no Ocidente em particular nos Estados Unidos, as empresas funerárias arrecadam uma gorda fatia em lucros com os serviços funerários que são muito procurados para realizar todo cerimonial. A família do morto não tem se quer condições de discutir qualquer valor imposto por estes, inclusive os mortos são embelezados por estas empresas criando para os parentes do morto a ilusão de que a morte não ocorreu, afastando ainda mais a família e o individuo do processo de morte.
Uma sociedade inconscientemente persuadida da imortalidade. Pessoas cegas, não sabem o que fazer com seus mortos. Para esta sociedade agora não passam de estranhos corpos que deixaram de produzir. Uma cultura de mentalidade capitalista.
A morte passa a ser mais um comércio do que o rito da perda. É muito caro morrer, os gastos e impostos de terrenos é abusivo, o que prova mais uma vez que nem nesta hora à igualdade entre ricos e pobres.
Pessoas pobres têm menos tempo de vida comparado a grandes e poderosos empresários.
A questão da morte agora é fato e não direito. Uma definição vinda apenas pelo médico através do atestado de óbito. Só a este cabe confirmar o momento da morte, ou seja, o próprio doente não pode ter esta escolha de ratificar a morte. Este médico é o tanatocrata, que não só constata a morte, mas também a provoca. Ele agora é o “senhor”. Não registra mais a hora final de uma vida, mas tira-a segundo a sua escolha.
A própria sociedade cria estes sistemas mercantis – nega a morte, um sistema que aliena e sugere a imortalidade.
  • Alguns aspectos relacionados à questão da morte
1- morte no processo do desenvolvimento;
2- o medo da morte;
3- comportamento auto destrutivo e suicídio;
4- fase terminal da vida;
5- dor;
6- a perda de alguém querido;
7- sensação de abandono;
8- e outros que nem consigo imaginar.
Esta morte que é tão difícil de ser abordada e muitas vezes negada por todos, está cada vez mais presente em nossas vidas. Ela começa exatamente quando não levamos em conta que existe.
Mas, será que a morte está apenas no morrer e acabou?
Já parou para pensar que pode estar bem a nossa frente? Na vida de uma criança miserável, um suicida, uma mãe desesperada ao ver seu filho nas drogas, um operário que ficou sem os seus membros ou talvez aquele individuo que perdeu a sua humanidade. Acredito que pode ser algo a se pensar a respeito desta morte que tanto nos assombra.
Como resolver este tabu ou grande dilema?
Com certeza não é fácil responder e nem acredito que estou apta para tal, mas vou tentar me fazer compreensível ao que pesquisei acerca do assunto.
Primeiro precisamos acreditar que ao morrer não vai acabar tudo, existe em nosso conceito a vida após a morte ou salvação. Esta crença, fé ou até mesmo confiança, serve para aliviar o sofrimento do ser humano diante do inevitável.
Segundo é que através desta consciência de sermos finitos é que valorizamos a nossa existência individual. Talvez se não fossemos finitos encararíamos de uma outra forma a vida e provavelmente não daríamos tanto valor ou atribuiríamos sentidos a esta temporalidade.
Um dos versos de Chico Buarque “Construção” nos remete a este sentido.

“E tropeçou no céu como se fosse um bêbado, e flutuou no ar como se fosse um pássaro, e se acabou no chão feito um pacote flácido, agonizou no meio do passeio público. Morreu na contramão atrapalhando o tráfego.”

Mesmo que tentamos ou desejamos, ainda não temos respostas para a morte. Talvez a encontremos no capricho, na ilusão ou na nossa miopia.
A única garantia que temos é a certeza de viver a riqueza de conviver com estes sentidos, esta esperança e a ausência que em vida nos mostra a morte. É o que vemos nas belas frases de Carlos Drummond de Andrade “Ausência”

“Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava ignorante, a falta. Hoje não lastimo. Não há falta sem ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto – a branca, tão pegada, aconchegada em meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.”

O que podemos dizer, é que o destino de um individuo, acaba por se decidir aqui mesmo na Terra. É o que vamos ver agora na Bíblia.

ü  O que a Bíblia diz sobre a morte

A Bíblia diz que o último de nossos inimigos é a morte, um dos maiores terrores. A morte é o inimigo que os vivos passam suas vidas tentando superar e derrotar para sempre, sem idéia da conseqüência disso.
Que o salário do pecado é a morte. Mas, que também o morrer é lucro.
Filipenses 1. 21-23
v. 21 “porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.
v. 22 Caso continue vivendo no corpo, terei fruto do meu trabalho.E já não sei o que escolher!
v.23 Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor ;”
Então, o que é esta morte que lança medo, angustia, dor e perda para nossos corações?
Segundo a Bíblia a morte é a separação:
Espiritual – separação que o pecado produz entre o homem e Deus.
Física – separação da alma (alma vivente), a alma sobrevive sem o corpo, mas este não vive sem a alma.
Eterna – separação eterna do homem de Deus por toda a eternidade.
O ser humano faz vários jus e conceitos acerca da morte:
O primeiro conceito que tem, é, que se morrer acaba tudo.
O segundo conceito, é que se o sujeito morre, a alma vai para o purgatório. Um conceito católico, que se traduz num sofrimento temporal para a purificação da alma. Sabemos que não existe base Bíblica para este conceito.
O terceiro conceito, é que a alma e o espírito desencarnam e reencarnam até chegar à purificação final. Teoria muito conhecida por algumas religiões orientais e seitas espíritas. Também não achamos uma base Bíblica para tal sucessivas reencarnações.
A Bíblia fala de ressurreição, está ordenado ao homem morrer uma só vez.
O quarto conceito é de que, quando o individuo morre, vão corpo e alma juntos para um lugar e ali ficam dormindo.
A Bíblia diz que o ser humano tem dois destinos eternos:
A alma e o espírito voltam para Deus e não para ficar dormindo, mas sim habitar com Cristo.
E o destino de um individuo se decide aqui na Terra.
A Bíblia diz que quem crê em Jesus tem a sua garantia da vida eterna – “Quem crê em mim viverá eternamente.”
Jesus venceu a morte, tirou o ferrão venenoso da morte e ressuscitou. A morte foi vencida através Dele. Recebeu um corpo incorruptível, glorioso. Agora para nós a morte não é mais um sofrimento, mas ganho.
Filipenses 1.21-23; 2 Coríntios 5.8; Apocalipse 14.13; Salmo 116.15.
Não precisamos temer a morte, pois a Bíblia nos ensina que a redenção não só para a nossa alma, mas também para o nosso corpo limitado, sujeito a doença, dores, velhice etc. Receberemos um novo corpo que não enfrentará qualquer tipo de corrupção, fraqueza, velhice, um corpo incorruptível.
É o que nos aguarda a comunhão eterna, o gozo eterno de estar com Jesus Cristo.
A religião tem como papel o socializar e dirigir os ritos de morte, uma forma de lhe dar com o terror.

ü  Origem da Morte

“Uma mulher tinha dois filhos gêmeos, alguns dizem que eram irmão e irmã, que desmaiaram. Possivelmente só estavam dormindo. Sua mãe os deixou de madrugada, e quando retornou à noite, eles ainda estavam deitados lá. Ela notou pegadas como as deles, e imaginou que eles tinham voltado à vida e brincado durante a sua ausência.
Certa vez ela chegou, inesperadamente, e encontrou-os discutindo dentro da cabana. Um deles dizia:
“É melhor estar morto”.
O outro dizia:
“É melhor estar vivo”.
Quando a viram, pararam de falar e desde então as pessoas morrem de tempos em tempos, portanto, sempre há vivos e mortos. Se ela estivesse permanecido escondida e permitido que eles encerrassem sua discussão, um teria vencido o outro, e daí não haveria vida ou não haveria morte.”(in Meltzer, 1984)

A morte é representada por uma figura mitológica em várias culturas.
Na mitologia grega, Tânato seria a divindade que personificava a morte, e Hades, o deus do mundo da morte.
 Na iconografia ocidental ela é usualmente representada como uma figura esquelética vestida de manta negra com capuz e portando uma foice/gadanha.
 É representada nas cartas do Tarô e frequentemente ilustrada na literatura e nas artes.
A associação da imagem com o ceifador está relacionada ao trigo, que na Bíblia simboliza a vida. Em inglês, é geralmente dado à morte o nome de "Grim Reaper".
Em hebraico é dado o nome de Anjo da Morte.
Para algumas crenças, como os budistas, hindus,  alguns filósofos e certas outras religiões e seitas, a morte é a máxima consciência e os iluminados lembram de sua morte e de suas outras vidas, pois necessitam e se preocupam em explicar a origem e o destino do homem.
Acredito que cada um de nós, seja na tradição, na família, na cultura ou mesmo pelo simples fato de investigar, tem a morte dentro de si, vendo a sua própria forma, e a encarando a sua maneira.
A morte sempre inspirou e continua a inspirar poetas, músicos, artistas e todos os homens comuns. Já se via nos tempos dos homens das cavernas, inúmeros registros sobre a morte como: perda, ruptura, desintegração, degeneração. Por outro lado vemos o fascínio, a sedução, uma grande viagem, a entrega, o descanso ou alívio na morte.
Tudo isso, são as formas que vemos da nossa morte. E deste ponto de vista é que influência o nosso jeito de ser.

ü  Morte e vida se entrelaçam.

É um engano pensar que é um problema a ser resolvido somente no final de nossas vidas. Esta é a própria filosofia do século XX – matar a morte – ser imortal.
O homem por ser mortal, se torna consciente de sua finitude, o que o torna diferente dos animais que não tem esta consciência. Este individuo tem um nome, uma história, tem na verdade o status de um pequeno deus em relação à natureza, mas que ao mesmo tempo, possui um corpo que sente dor, adoece, envelhece e morre. Conhece sua origem e seu poder de criação, conhece sua finitude de forma racional e consciente. Esta morte se faz presente durante toda a sua existência e este individuo tenta driblar a morte, agindo como se fosse imortal.
Isso tudo se dá como forma de proteção contra esse terror que para o ser humano é a morte. Sua aparência externa é de uma fortaleza, mas seu interior é frágil diante do mistério que ainda vemos na morte.

ü  O medo da morte e seus sintomas

O ser humano possui dois grandes medos:
O medo da vida e o medo da morte.
Da vida porque se vincula ao medo da realização, da individualização e, portanto, está propensa a destruição, tornado vulnerável a acidentes e deslizes.
Da morte porque esta é um mistério ainda não desvendado pelo homem.
Não nascemos com medo da morte, entramos em contato quando somos crianças e viramos aprendizes de nossos pais e demais familiares. Uma aprendizagem gradual que vem através de experiências do nosso percurso de vida.
Para a psicologia o medo é a resposta mais comum diante da morte. Atinge todos os seres humanos universalmente, independente de sua idade, sexo, raça, classe social e credo.
O medo é definido a uma causa especifica. Neste caso a morte e seus medos não podem ser generalizados, alguns são mais conscientes e expressos, outros permanecem latentes. Não dá para medir e avaliar a intensidade do medo da morte em diferentes pessoas. O que podemos perceber em muitos é:
A morte do outro – abandono ou ausência – a separação diante da impotência de não poder fazer nada para evitar a morte.
A própria morte – consciência de ser finito, o pensamento e ânsia de saber como será seu fim e quando vai chegar. O medo do pós morte, a ânsia de saber o que vai encontrar do outro lado. O medo do julgamento se terá um castigo Divino. A perda da relação com o outro que fica.
O medo da extinção da própria espécie, o ser esquecido por todos e pelo mundo.
A ameaça do desconhecido, a solidão.
O temor da morte também vai depender muito da época da vida, que cada um se encontra ou leva, das circunstâncias, não podendo ser considerada separadamente da personalidade do sujeito.
São inúmeros os sintomas que o medo da morte apresenta, porém vou relacionar alguns como:
Insônia, preocupações excessivas com alguns aspectos da vida, principalmente com a família, trabalho, saúde, estado de ânsia, depressão, sistemas psicossomáticos entre vários outros.
Estudos mostram que o medo da morte diminui em quem tem crenças religiosas, pois a fé ajuda o ser humano a superar o medo.
A psicologia alega que os pacientes com problemas mentais negam com mais veemência a morte, principalmente a morte violenta. Nos esquizofrênicos a expressão era de como estivessem mortos, esta era a defesa que adquiriam diante do medo da morte.
Nestes casos os que tiveram mais imagens ruins ou negativas da morte, tendem a temê-la com mais intensidade.
Muitos sem religiões também são bastante preocupados em morrer e geralmente procuram não participar de ritos fúnebres.
O medo da morte pode ocorrer quando os pais a negam e hostilizam estes impulsos. Se tivermos experiências negativas a partir de nossa infância acerca da morte, provavelmente apresentaremos mais angustias diante dela.
O medo da morte na verdade é algo que a própria sociedade cria e acaba utilizando contra a pessoa para mantê-la submissa.

  • Os ritos diante da morte
Todas as culturas personificam a morte de diferentes formas, e elaboram variadas magias contra a sua intrusão.
Geralmente combatemos a morte com a nossa linguagem, com amuletos e talismãs, transcrevemos nossos sinais e símbolos em diversos materiais, nos unimos em cerimônias formais para romper as redes da morte. Escondemos-nos sob máscaras e vestimentas de poder sobre a morte. Na maioria das vezes reunimos substâncias como orar, jejuar, ir a retiros etc, considerados por nós sagradas para criar imunidade ao seu toque.
Estes ritos estão associados às representações de morte e aparentemente são práticos; continuam sendo primitivos, e mesmo assim, utilizados pela nossa civilização. Em alguns casos estes ritos estiveram vinculados aos mortos, ou seja, o medo de que estes voltassem e prejudicassem os vivos com sua decomposição e doenças trazidas de seus túmulos. Em relação a isto foram desenvolvidas técnicas de conservação do corpo, embalsamamento e até a destruição dos elementos corporais pela cremação.
Diante disto tudo, temos o sacrifício que favorece a relação entre a vida e a própria morte. Tomamos como a morte de Jesus Cristo, que até hoje fazemos em memória Dele a ceia, e assim, temos parte com Ele. E logo encontramos forças que resultaram dos aspectos fecundantes da morte.
A psicologia explica que muitos ritos feitos em lugares úmidos como cavernas, cavidades ventrais da terra, lugares obscuros, montes isolados e tranqüilos é associado com o desejo de ter a figura materna diante do perigo da morte, a idéia de regresso do útero materno. O não se separar da mãe.
A água simboliza o útero que recebe e contém. Para a psicologia está relaciona até mesmo, a morte suicida por afogamento, que representa o desejo de voltar para o útero materno, que é o lugar de fuga, o abrigo encontrado para aliviar o sofrimento. Além disso, existe a idéia de renascimento, pois a água está ligada ao simbolismo do batismo, da purificação, de um novo nascimento.

  • Como viver sem pensar na morte?
Não precisamos nos torturar a vida toda debaixo da presença da morte. Podemos conviver ocultando-a como uma defesa, ou seja, negando-a, repreendendo-a, intelectualizando-a ou deslocando-a de nossos pensamentos para outras coisas na vida.
Essas defesas que o individuo adquiri, acaba por protegê-lo do medo da morte. Se ficarmos acuados com medo da morte não viveremos e seremos como mortos vivos.
Muitos definem esta idéia, como desafiar a morte. Não dão lugar para a ela, pois representa a derrota, o fracasso e a incompetência do ser humano. Assim, temos a visão atual da morte para o individuo. Criamos manobras contra a morte, em favor da imortalidade. Competimos com nossa invenção de perfeição, só queremos ser o que realmente imaginamos, com isto chegamos ao extremo. Buscamos remédios e formulas para sermos imortais.
Desafiar, romper limites é o grito da vida. Um novo ser que rompe barreiras, extravasa limites, vivem a vida aos extremos, sem dar o mínimo de espaço para a morte. Mesmo este sabendo da concretude de perdas o sujeito se julga um verdadeiro herói sobre a morte, tendo como desejo a sua imortalidade.
  •  Psicologia e a morte



A vida e a morte não são duas coisas separadas. Fazem parte do mesmo processo, segundo a psicológica. Começamos a morrer no mesmo instante que nascemos através de nossas células que envelhecem e morrem o tempo todo. Ou até mesmo à medida que vamos perdendo coisas através da vida.
A psicologia informa que quando o individuo morre ele se transforma como uma célula em seu processo de transformação.
Esta mesma psicologia descobre que o melhor meio ou forma de lutar contra a morte é fortalecendo o lado da vida e evitando os juízos de valores, aconselhar, condicionar, educar, e qualquer outra atitude que não faça o individuo tomar consciência daquilo que lhe é consciente e possa dificultar a sua vida. Existe uma sobre determinação em nossas vidas derivadas de instâncias inconscientes, que provocou uma ferida narcísica na humanidade, que de repente não se viu mais “senhora” de seus atos e comportamentos. Uma ferida ainda não cicatrizada que leva o individuo a não aceitar essa área do conhecimento.
A tomada de consciência da morte ou finitude do ser humano constitui – se em outra ferida que é mais aterrorizante ainda.
Toda a área da psique consegue compreender algo acerca da dinâmica do inconsciente, porém em relação à morte são claras em admitir sua impotência. Pois, o não saber é uma das coisas que apavora o ser humano. Fazendo com que este perca a capacidade de controle, fique submisso a algo desconhecido e para este ser, isto é desesperador.
Segundo a psicologia é por isso, que o sujeito cria “verdades” para que este terror se esvaia.

  •         Ciência e a morte

A morte, no ramo das ciências, é estudada pela tanatologia. Nesse sentido são estudados causas, circunstâncias, fenômenos e repercussões jurídico-sociais, sendo amplamente utilizados na medicina legal.
A morte também é estudada em outros ramos da ciência, notadamente os relacionados a tratar doenças e traumatismos evitando que elas ocorram.
Para os céticos, a morte compreende o cessar da consciência, exatamente quando o cérebro deixa de executar suas funcionalidades.
A ciência diz que a morte pode ocorrer para  todo o organismo ou apenas para parte dele. É possível para células individuais, ou mesmo órgãos, morrerem e ainda assim o organismo continuar a viver.
  • A quase morte para a ciência

Um dos ramos da ciência relatados através de vários casos de quase morte estuda os sentimentos declarados de pacientes que recuperaram suas funções vitais depois de uma intervenção médica. São comuns relatos de pessoas que dizem ter visto uma luz, um túnel iluminado e às vezes vendo-se a si mesmo, fora do próprio corpo, durante uma cirurgia. Esses relatos dividem opiniões de especialistas que defendem as causas religiosas no sentido de que a "luz" vivenciada pelos pacientes de quase morte era a luz para o caminho dos céus. A ciência tenta explicar esse fenômeno através de alterações químicas no cérebro, especialmente pela falta de oxigenação em cirurgias graves, fazendo o paciente ter alucinações nesse período de intervenção.
Cientificamente, é impossível trazer de novo à vida um organismo morto. Se um organismo vive, é porque ainda não morreu anteriormente. No entanto, muitas pessoas não acreditam que a morte física é sempre e necessariamente irreversível, enquanto outras acreditam em ressuscitar o espírito ou o corpo e outras ainda, têm esperança que futuros avanços científicos e tecnológicos possam trazê-las de volta à vida, utilizando técnicas ainda embrionárias, ou outros meios de ressuscitar ainda por descobrir.
A morte cerebral é definida pela cessação de atividade elétrica no cérebro.
Do ponto de vista científico, não se pode confirmar nem rejeitar a idéia de uma vida após a morte. Embora grande parte da comunidade científica sustente que isso não é um assunto que caiba à ciência resolver. São tantos os cientistas que tentaram entrar nesse campo estudando as chamadas "experiências de quase-morte", e o conceito de "vida" se associa ao de "consciência".
São consideradas duas hipóteses:
A consciência existe unicamente como resultado de correlações da matéria. Se esta hipótese for verdadeira, a vida cessa de existir no momento da morte.
A consciência não tem origem física, apenas usa o corpo como instrumento para se expressar. Se esta hipótese for verdadeira, certamente há uma existência de consciência após a morte e provavelmente antes da morte, também, o que induziria às tentativas de validação da reencarnação.
Até quando (e se) a ciência conseguir demonstrar alguma dessas hipóteses, esse assunto continuará a ser uma questão de fé para a grande maioria das pessoas.
  •    Filosofia e a morte

A questão começa em Platão e se estendendo até Nietzsche – existencialismo.
A obra "República", de Platão, escrita em 360 a.C. contém a lenda de um soldado que teve uma experiência depois de ter sido ferido em combate. Este descreveu sua alma deixando seu corpo e, do céu, viu-a sendo julgada junto com outras almas.
A morte é considerada através de várias perspectivas na literatura de todo o mundo. Encaramos a morte, lidamos com o falecimento de entes queridos e desconhecidos, discutimos o seu significado religioso, filosófico, social, etc.
Muitos autores usaram-na como via para expressar o que há depois da vida, sob a perspectiva de várias teorias.
As três mais divulgadas e preponderantes são:
A teoria da "Extinção Absoluta" permanente da vida ao ocorrer à morte física, ou teoria Materialista;
A teoria do "Céu e Inferno" numa vida eterna para além da física e determinada pela conduta na vida física, ou teoria Teológica.
A teoria da reencarnação através de renascimentos sucessivos em corpos físicos e com diferentes experiências de vida para alcançar a expansão de consciência e perfeição espiritual, ou teoria do Renascimento (dualista).
Para Heidegger, à medida que compreende o ser, o homem se coloca no campo da possibilidade, da transcendência e elabora as possibilidades de sua existência.
“Somente o homem existe. O rochedo é, mas não existe. A árvore é, mas não existe. O anjo é, mas não existe. Deus é, mas não existe. A frase:   o homem existe de nenhum modo significa apenas que o homem é um ente real, e que todos os entes restantes são irreais e apenas uma aparência ou a representação do homem. A frase o "homem existe" significa: o homem é aquele ente cujo ser é assinalado pela insistência existente no desvelamento do ser a partir do ser e no ser”.

v  Lazaro e a filha de Jairo, morreram e ressuscitaram?
O aspecto que talvez mais afaste a religião da ciência é a interpretação da morte.
As religiões vêem na morte uma passagem para uma vida melhor e eterna. Prometem aos seus fiéis um paraíso com setenta virgens - Islamismo, ou um vale encantado a espera de seus seguidores - crença dos antigos povos nórdicos da Europa, entre outras.
A interpretação da morte, relativamente ao catolicismo, por parte da Igreja talvez não passe de uma negação ao nosso, ridiculamente pequeno, papel no grande “circo” da vida.
Seria de fato extremamente reconfortante se tal paraíso existisse.
A ciência vê a morte como o natural ciclo da matéria, sem mística, sem promessas de um paraíso, não se considera a existência de um inferno, o que é uma boa notícia para muitos de nós, e as nossas ditas almas não migram para nenhum lugar, nem na Terra nem no Além, para obter paz.
A morte, cientificamente falando, é processo tão vulgar como a fecundação, o seu oposto, a meiose, a replicação semiconservativa, enfim, igual a tantos outros. A matéria que agora nos constitui, depois da vida do nosso organismo se extingui, pode ser parte constituinte de outro qualquer ser vivo. E pensar que nos achamos superiores, distintos quando na realidade somos feitos da mesma matéria de uma insignificante bactéria.
 
Temos muitos questionamentos acerca das figuras Bíblicas de Lazaro e da filha de Jairo. Nenhum destes, porém trazem ao certo a verdade ou solução dos fatos. A questão é que cada um de seus pesquisadores científicos ou religiosos, detem a sua verdade e com ela tentam provar para o mundo.
Podemos ver na figura de Jesus, que não falava diretamente ao povo, mas através de parábolas. E quando se referia aos mortos, não significava que era a estagnação biológica. Tanto que em nenhum dos seus momentos afirma ou fala que Lazaro ou a filha de Jairo estavam mortos, mas que dormiam.

Jesus estava em seu estado de pureza e sabia que Lazaro não havia morrido, mas estava num profundo estado de sono. Ele conhecia perfeitamente a situação de Lazaro e todos os fenômenos de efeitos físicos, pois nunca se mostrara leigo a nada do que lhe questionavam.
Para a ciência ele estava inconsciente, num estado de catalepsia ou letargia, que é uma crise histérica que ocupa o segundo lugar em freqüência na produção de estados de morte aparente. O termo genérico letargia designa todos os estados de um sono de longa duração, acompanhados de perda de movimentos, sensibilidade e consciência, que podem ser confundidos com a morte real.
Mas, enquanto ao mau cheiro?
Não precisamos estar no local ou ser cientistas da área para saber que um ser humano ao ficar por mais de 4 dias sem se banhar e ainda mais fechado em um local sem se quer ter ventilação, vai cheirar mal.
Agora no caso da filha de Jairo o texto é claro em dizer que ela não estava morta. Podemos ver em Mateus 5.21-43:
v.23 Jairo “Minha filhinha está morrendo!...impõe as mãos sobre ela para que seja curada.”...
v.39 Jesus ...”A criança não está morta, ,mas dorme.”....
Neste meio tempo em que anunciam a morte da menina, é feito por pessoas leigas, que desconhecem ou ainda estão por descobrir, sintomas de uma morte aparente, a qual vimos em Lazaro. E Jesus as conhecia muito e convictamente bem.
A única questão que se faz pouco debate é a questão de que se realmente ouve a ressurreição de Lazaro e da filha de Jairo. Pois, se for concluída, anula todo o processo de morte e ressurreição vinda de Jesus, que explica que morreremos e ressuscitaremos uma única vez. Dizer que Deus tem este poder, não se questiona, pois Ele é Deus. E acredito que devido a nossa finitude ficaremos limitados a esta questão.

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