quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A VIDA PELA VIDA

                                                                                                                       
Sou da concepção que todas as coisas que conhecemos não surgiram do nada. Tudo que temos, ouvimos falar, produzimos ou ensinamos tem base em conhecimento anterior. Pode ser que estamos tendo acesso contemporaneamente, mas não tenham dúvidas que já foi estudado, pesquisado ou criado por alguém muito antes de imaginarmos. 
O homem histórico não falava, tinha dificuldade em se comunicar, morava em cavernas, constantemente fugia de animais predadores. A partir do momento que este começa a observar, vai construindo sua história.
Prova disso é o que hoje temos em direito, que não foi concebido por nos, mas com base no direito Romano.
 Outro exemplo é a Lei de Moisés, que veio posterior a de Hamurabi. O pacto do Êxodo falhou diante da sociedade igualitária que haviam planejado. Deus tinha firmado um pacto com a sociedade do Êxodo que acabou falhando. Diante desta situação Deus pede misericórdia.
Temos como base ainda na Lei segundo Moisés, o “não matarás”.
Por que uma Lei desta precisa ser determinada por um povo que aparentemente tinha uma concepção dos seus princípios?
O problema maior se deu devido as constantes mortes sem fundamento que ocorriam na antiguidade, por isso, precisou criar uma Lei, que evitasse a morte de muitas pessoas inocentes, que poderiam ter suas vidas poupadas, resolvendo a situação por outros meios legais.
A proposta dos profetas antigos, também é tomada como base para dias atuais, pois era voltada para a questão social. Ao contrário do que muitos evangélicos acreditam ser os profetas conhecedores do futuro, na verdade não são, eles apenas eram observadores de uma sociedade marcada pela fome e injustiça social, como os economistas, sociólogos atuais que observam nossa sociedade e conforme a necessidade apresenta as condições que ela se encontra por meio de números e fatos ocorridos.
Os profetas se voltavam contra a elite da época, que destratavam violentamente os pobres. O que faziam era alertar esta nobreza a se precaverem de dias maus que poderiam ocorrer se estes continuassem a fazer as coisas sem ética.
Percebe como muitas coisas precisam ser revistas, devem ter uma releitura. O próprio Deus precisou repensar suas idéias no Êxodo. 
Todas as coisas são impostas, permitidas, sugeridas ou sancionadas conforme as necessidades que vão surgindo dentro da sociedade.
Já que estamos falando de necessidades da sociedade, quando pensamos nela, temos que pensar também em moral e ética, pois ambas andam juntas.
O ser humano (homem e mulher) tem consciência reflexiva, bem contrária aos animais irracionais que se comportam por instinto. Somos os únicos que nos comunicamos por códigos. O ser humano inventa, não nasce sabendo as coisas, vai aprendendo gradativamente.
O sujeito desde que nasce tem suas próprias convicções moral. A moral é redigida pela consciência do individuo. 
Quando este sujeito passa para o grupo ele é confrontado, começam a surgir os conflitos. Quem passa a determinar a questão moral é o grupo, a sociedade, por isso, ocorre à necessidade das normas jurídicas. A ética é sancionada, sugere o cumprimento das normas, é a força, não pode ser desrespeitada. Sua necessidade é devido às mudanças ocorrentes na sociedade.
Meu proposito diante destas informações, conhecida por muitos estudiosos e pesquisadores, e despercebida por muitos leigos é justamente para abordar um assunto que estamos vivenciando atualmente e que para a maioria da sociedade (tanto ciência quanto religião) está gerando controvérsias, que é o fato das células tronco embrionárias.
 Mas o que vem a ser esta tão sonhada e esperada “formula mágica” para uns, e para outros a vida pela vida?
A célula-tronco possui a capacidade de se dividir dando origem a outras células semelhantes à progenitora. Ao passo que a célula-tronco embrionária tem esta capacidade mais avançada, ou seja, ela se transforma em outros tecidos do corpo, é a chamada “diferenciação celular”. Coisa que a célula-tronco adulta se limita a esta diferenciação. A ciência tem como objetivo utilizar a célula-tronco embrionária para recuperar tecidos danificados.
A Lei como eu havia mencionado anteriormente não é feita de qualquer jeito, ela é estudada, pesquisada e aprovado com base em conhecimentos anteriores e com base no que a sociedade determina dentro dos seus princípios morais. Tanto que não podemos copiar um padrão de normas de outro país apenas por ter dado certo com eles. É preciso avaliar todos os meios e recursos apresentados antes mesmo de fazer valer a norma jurídica. Nem todo modelo que deu certo em outro lugar, necessariamente vai dar certo aqui.
Devemos entender que o direito não é pleno, ele precisa ser justo.
Se voltarmos um pouco no tempo, quando não tínhamos computadores em massa, quando a internet era artigo de luxo, usufruída pela minoria burguesa, não se falava de uma Lei que preservasse os direitos do internauta. Hoje se fez necessária, devida às diversas fraudes que são constantes pela rede.
Hoje a Lei permite o aborto em determinadas circunstâncias. Exemplo uma jovem estuprada por um marginal, pode ter o direito ao aborto se assim, desejar. Sendo que, era determinantemente proibido pela Igreja e pela sociedade há pouco tempo atrás.
O mesmo pode dizer da doação de órgãos, que era um verdadeiro tabu, e que ainda, está em processo, por muitas pessoas terem medo de assinar sua sentença de morte.
A ciência descobriu que a vida termina com a morte cerebral. Mas, quando começa a vida?
A Lei defende a vida do feto, da mesma forma que defende a vida de uma criança formada. Com parâmetros de que ambos não podem se defender por si só. Mas, nem sempre foi assim. Antes da Lei, existiam duas formas distintas de avaliar estes indefesos seres: as crianças de pais nobres, denominada “crianças e adolescentes”, e a dos pais menos afortunados, chamada de, “menores ou situação irregular”. O tratamento a estes era um abuso do Estado, totalmente desigual em todos os aspectos, inquestionável pelo poder judicial.
Mas, porque a mudança se fez necessária a este infortúnio?
Simplesmente por gerar muitos abrigos e internatos que violavam os direitos humano, fazendo necessária uma Constituição que protegesse estes direitos.
Com a Constituição de 1988 - Estatuto da Criança e Adolescente rompe com o velho paradigma, as crianças do Brasil passam a ter seus direitos humanos como sujeitos e não mais sendo tratadas como “menor”, que conota a situação irregular de um ato infracional, discriminatório.
Diante deste assunto precisamos ter a consciência de quando começa a vida.
Em Jeremias 1.5 está escrito que a vida começa na fecundação – “Antes de formá-lo no ventre...”.
A ciência no estudo dos embriões diz que tanto o espermatozoide do homem quanto o óvulo de uma mulher, tem seu tempo de vida.
O Brasil não é mais um país subdesenvolvido, hoje é chamado de emergente, muitas são as dificuldades, para o progresso. Muitas pessoas morrem de fome, outros muitos não tem um teto para morar, a violência, as drogas e o crime, invadem nossas vidas sem deixar rastros. A utopia de melhoras é proclamada por políticos corruptos, que são eleitos pela própria sociedade pluralista capitalista.
Até que ponto eu posso sacrificar uma vida para salvar outra?
Se formos levar em consideração, todas as coisas que vivenciamos durante séculos de progresso pela ciência, se fazem necessária uma reflexão e um repensar mais apurado acerca do uso de embriões para salvar vidas. Até que ponto um embrião de seis dias pode mudar a vida de uma criança paraplégica?
A ciência propõe, porém, cabe à sociedade decidir, escolher o que vai ser melhor, desistir do progresso por princípios morais e religiosos ou tornar ético o uso de embriões para salvar vidas.
Realmente a liberdade é algo que assusta; ser livre traz muitas responsabilidades e com estas vêm às consequências de escolhas que fazemos. Justamente alerto para isto, pois quero não acreditar que um sujeito faça suas escolhas por medo do que possa acontecer ou apenas por interesse em si próprio. Devemos a partir do outro, produzir vida, sem pensar na heteronomia.  


Sonia Sanches

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